Avalanche de Exonerações no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro vive um momento de intensas transformações administrativas. Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio e atual governador em exercício desde a renúncia de Cláudio Castro em 23 de março, já exonerou aproximadamente 500 servidores comissionados nomeados pela administração anterior. A medida faz parte de um movimento mais amplo de reorganização da máquina pública estadual, focado na racionalização de despesas e na adequação orçamentária.
Decreto de Suspensão de Contratações e Licitações
Couto publicou na última sexta-feira um decreto que suspende por 30 dias novas contratações e licitações em curso no Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ). A mesma restrição foi estendida às secretarias estaduais de Infraestrutura e Obras Públicas e das Cidades. Esta ação foi tomada após denúncias de uma avalanche de editais lançados pelo DER-RJ, que totalizavam investimentos previstos de R$ 418,5 milhões, com nove contratações publicadas nos últimos dias.
O decreto prevê exceções para contratos com vencimento nos próximos 60 dias ou em situações emergenciais, que requererão autorização específica da Secretaria da Casa Civil, com posterior aprovação final do governador em exercício. Esta abordagem busca equilibrar a necessidade de contenção fiscal com as obrigações administrativas legítimas do estado.
Extinção de Subsecretarias da Casa Civil
Em outro ato administrativo significativo, Couto determinou a extinção de três subsecretarias da Casa Civil, eliminando todas as suas estruturas subordinadas. As unidades extintas foram: Subsecretaria Adjunta de Projetos Especiais, Subsecretaria de Gastronomia e Subsecretaria de Ações Comunitárias e Empreendedorismo. O governador justificou a medida como reorganização administrativa sem aumento de despesas públicas.
As exonerações resultantes desta extinção incluem Tiago Moura Costa de Bulhões, subsecretário de Gastronomia; Flavio Ribeiro de Araujo Cid, subsecretário-adjunto de Projetos Especiais; e Marise Halabi Miranda, subsecretária de Ações Comunitárias e Empreendedorismo, além de aproximadamente 380 outros funcionários desses setores. Conforme informações divulgadas anteriormente, o estado economizará cerca de R$ 13 milhões anuais com as exonerações de cargos comissionados.
Mudanças na Primeira Lista Oficial
A primeira lista de exonerações, publicada pela Secretaria de Governo, contou com 157 cargos em comissão extintos. Este número soma-se às demissões subsequentes, totalizando aproximadamente 500 funcionários comissionados dispensados até o momento. O processo de reorganização administrativa continua em andamento, com novos cortes programados para serem publicados nos próximos dias no Diário Oficial.
Alterações em Órgãos Estratégicos
Além das exonerações em massa, Couto realizou mudanças em posições-chave de órgãos importantes. Na Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), após a substituição da presidência — com Agnaldo Ballon, indicado por Castro, sendo substituído por Rafael Rolim — está confirmada a saída de Antonio Carlos dos Santos da diretoria administrativa e financeira.
No Fundo Único de Previdência Social do Estado (Rioprevidência), o governador em exercício oficializou Felipe Derbli de Carvalho Baptista na presidência, vindo dos quadros da Procuradoria-Geral do Estado. Baptista substituiu Nicholas Cardoso, que atuava interinamente no cargo.
Tensões Políticas e Reunião com Ex-Governador
Couto despachou ontem pela primeira vez no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, tratando pessoalmente dos assuntos do Executivo. Reuniu-se com os secretários da Casa Civil, Flávio Willeman, e de Governo, Roberto Lisandro Leão, para discutir a reorganização administrativa e o racionamento de despesas.
De forma não oficial, Cláudio Castro e Ricardo Couto se encontraram à tarde na sede do Tribunal de Justiça. O encontro, marcado por clima de tensão, foi iniciativa de Couto para discutir os cortes orçamentários e exonerações em andamento. De acordo com aliados de Castro, o ex-governador manifestou insatisfação com a forma dos cortes, argumentando que transmitem uma imagem negativa de sua gestão e sugerem descontrole financeiro.
