Aliados da ministra do Meio Ambiente Marina Silva avaliam que somente um milagre manteria a ambientalista na Rede Sustentabilidade, apesar das tensões internas que marcaram a sigla nos últimos meses. Com o encerramento da janela partidária se aproximando, a ministra mantém conversas estratégicas com PSB e PT sobre uma possível filiação, embora a tendência inicial fosse permanecer na legenda que acompanha desde sua fundação.
Nos bastidores, Marina reafirmou ao longo dos últimos meses sua intenção de lutar para permanecer na Rede até o fim. Contudo, o calendário eleitoral de 2024 representa um obstáculo significativo para essa permanência. A ministra ambiciona ser candidata ao Senado por São Paulo, e lideranças da federação do PSOL com a Rede trabalham para que ela integre a chapa de Fernando Haddad (PT) à Casa Legislativa no estado como segundo nome.
Condições para candidatura em 2024
A candidata estabeleceu três requisitos fundamentais para sua eventual candidatura neste ano: primeiro, o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; segundo, a construção coletiva e fortalecimento de uma frente ampla, especialmente em São Paulo; e terceiro, o fomento à agenda verde e sustentável.
Atualmente, a chapa petista no estado já possui Fernando Haddad como nome para o governo estadual e Simone Tebet (PSB) como candidata ao Senado. Marina recebeu um convite formal de filiação do PT, mas as negociações esfriaram. Outras legendas como PSB, PV, PSOL e PDT também demonstram interesse em recebê-la como filiada.
O dilema central para Marina é escolher entre permanecer na Rede para recuperar seus valores originais ou transferir-se de legenda para atender às exigências do calendário eleitoral. O prazo para mudanças de partido sem perda de mandato — a ministra foi eleita deputada federal em 2022 — encerrava-se no sábado, criando urgência nas decisões políticas.
Tensões internas na Rede Sustentabilidade
O tensionamento da relação entre Marina e a sigla se aprofundou significativamente em abril de 2023 após a eleição para a presidência do diretório nacional. O candidato apoiado pela ministra foi derrotado por Paulo Lamac, nome referendado por Heloísa Helena, com quem Marina está rompida desde 2022.
Em dezembro, aliados de Marina publicaram um manifesto contra a direção nacional da Rede, criticando mudanças no estatuto partidário e afirmando haver perseguição interna contra a ministra. Enquanto Marina se define como sustentabilista e optou por integrar a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o ecossocialismo, corrente que associa preservação ambiental à mudança do sistema econômico.
Decisões judiciais recentes
Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso nacional da Rede Sustentabilidade que culminou na vitória do aliado de Heloísa Helena. A ala próxima à ministra entendeu que a situação criou insegurança política e jurídica nas decisões futuras da cúpula partidária. A legenda respondeu afirmando ter recebido a decisão com surpresa e reafirmou seu compromisso com lisura, transparência e democracia.
Na semana anterior aos prazos finais, o grupo de Marina conquistou nova vitória jurídica quando a Justiça do Distrito Federal concedeu liminar suspendendo os efeitos da resolução partidária que remete todos os pedidos de desfiliação por justa causa à anuência do diretório nacional. A ação criticou a resolução como instrumento de coerção política editado às vésperas da janela partidária, bloqueando negociações políticas e forçando mandatários a permanecerem na agremiação contra sua vontade.
Transição ministerial
Marina está entre os ministros que deixarão seus postos nessa semana. A pasta ambiental será assumida por João Paulo Capobianco, atual secretário-executivo, que assumirá a responsabilidade pela continuidade das políticas ambientais do governo federal durante este período de transição e incerteza política.
