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Lipedema: entenda a doença que afeta 1 em cada 5 mulheres e veja histórico de Yasmin Brunet

Lipedema afeta 1 em cada 5 mulheres. Conheça os sintomas, tratamentos e a história de Yasmin Brunet que perdeu 25kg.
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Amanda Clark

O que é lipedema e como Yasmin Brunet conseguiu perder 25 kg

A modelo e empresária Yasmin Brunet compartilhou nas redes sociais sua jornada de transformação corporal após iniciar o tratamento para lipedema. Diagnosticada em 2024 e começando o acompanhamento em abril, ela relatou uma perda significativa de 25 kg desde então. Nas imagens mais recentes, é possível observar uma redução considerável do inchaço nas pernas, demonstrando os resultados positivos do tratamento adequado.

Apesar de mencionar uma pequena piora desde sua última consulta, Yasmin mantém o compromisso com as recomendações médicas, evitando desespero e focando no controle contínuo da condição através de ajustes alimentares e acompanhamento profissional.

Lipedema: uma doença tardiamente reconhecida mundialmente

Embora afete aproximadamente 1 em cada 5 mulheres, o lipedema foi oficialmente reconhecido como doença apenas em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A inclusão na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID) ocorreu dois anos depois, caracterizando a condição como um inchaço gorduroso geralmente confinado às pernas, coxas, quadris e parte superior dos braços.

A descrição original da doença remonta a 1940, quando dois pesquisadores da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, realizaram as primeiras documentações científicas. Por essa razão, também é conhecida como síndrome Allen-Hines. Apesar dessa história longa, o lipedema permaneceu pouco difundido entre profissionais de saúde, sendo frequentemente confundido com obesidade e linfedema.

Características clínicas e sintomas do lipedema

De acordo com Armando Lobato, angiologista e cirurgião vascular, o lipedema é uma condição vascular, crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea. Diferentemente de outras formas de acúmulo de gordura, este não é influenciado diretamente por dieta ou exercício físico.

Os sintomas mais característicos incluem dor, sensibilidade aumentada e tendência à formação de hematomas. O aspecto visual desproporcional é geralmente o primeiro indicador, onde as pernas e membros inferiores apresentam volume significativamente maior em relação ao restante do corpo. Outras queixas comuns envolvem sensação de peso, queimação e desconforto nas pernas.

Os sintomas podem ser agravados por mudanças hormonais, incluindo puberdade, uso de anticoncepcionais hormonais, gestação e menopausa. Uma característica diagnóstica importante é que mesmo com perda de peso através de dieta e exercícios, as mulheres conseguem emagrecer no tronco, mas raramente nos membros afetados.

Prevalência do lipedema no Brasil e no mundo

Estudos internacionais apontam que entre 11% e 19% das mulheres apresentam lipedema, representando potencialmente 1 em cada 5 mulheres na população geral. No Brasil, pesquisa publicada no Jornal Vascular Brasileiro em 2022 estimou que 12,3% das brasileiras têm a condição, o que representaria aproximadamente 12,9 milhões de mulheres com base nos dados do Censo Demográfico do IBGE.

O diagnóstico preciso é desafiador, pois muitos casos não são identificados corretamente. Personalidades como Yasmin Brunet e a repórter Juliane Massaoka têm contribuído para aumentar a conscientização sobre a doença ao compartilharem suas experiências publicamente.

Causas e fatores de risco do lipedema

Embora as causas exatas ainda não sejam completamente compreendidas, o lipedema é considerado uma condição multifatorial envolvendo fatores genéticos e hormonais. Muitos pacientes relatam histórico familiar semelhante, sugerindo uma predisposição hereditária significativa.

O fato de afetar quase exclusivamente mulheres e estar associado a períodos de mudanças hormonais indica o papel importante do estrogênio no desenvolvimento da condição. Fatores ambientais como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e outros hábitos nocivos à saúde podem acelerar a progressão da doença.

Estágios e classificação do lipedema

O lipedema é classificado em quatro estágios de acordo com a severidade. No estágio 1, a pele apresenta aspecto normal, com aumento da gordura subcutânea e pequenos nódulos gordurosos palpáveis. No estágio 2, a pele se torna irregular e flácida, com aparência semelhante a celulite e nódulos maiores.

O estágio 3 caracteriza-se por flacidez significativa, dobras de pele e possível dificuldade de mobilidade. O estágio 4 inclui todas as alterações anteriores mais comprometimento do sistema linfático, formando o que é chamado de lipo-linfedema.

Opções de tratamento e controle do lipedema

Segundo especialistas, não existe cura definitiva para o lipedema, mas sim possibilidades efetivas de controle e alívio dos sintomas. O tratamento deve ser individualizado e orientado por profissional qualificado, podendo variar conforme o estágio da doença.

As abordagens não cirúrgicas incluem atividades físicas de baixo impacto como hidroginástica, caminhada e pilates, que auxiliam na circulação. Alimentação balanceada rica em frutas, vegetais, proteínas magras e gorduras saudáveis é fundamental para reduzir inflamação e retenção de líquidos. Terapias compressivas com meias e bandagens ajudam a controlar o edema.

Além disso, recomenda-se boa ingestão de água, drenagem linfática, evitar longos períodos de imobilidade e práticas de controle de estresse como meditação e yoga. Medicamentos para alívio de dor e inflamação podem ser prescritos quando necessário.

Quando o tratamento conservador não produz resultados satisfatórios, existe a opção de lipoaspiração específica para lipedema. Esta técnica consegue remover significativamente os depósitos de gordura anormal e aliviar sintomas, porém, como a doença é crônica, o acúmulo pode reocorrer. Todo procedimento cirúrgico envolve riscos que devem ser cuidadosamente avaliados com o médico responsável.

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