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Lula nega vínculo com lobista investigada na fraude do INSS em sabatina do JN

Presidente disse que seu governo descobriu e resolveu o esquema de descontos indevidos que atingiu aposentados, mas a origem do problema segue sendo debatida
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, negou nesta quinta-feira (27) qualquer tipo de contato com a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de participação no esquema de descontos indevidos que atingiu milhões de aposentados e pensionistas do INSS. A declaração foi dada durante sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, na qual o presidente também tratou da resposta do governo à fraude e afirmou que os valores desviados já foram devolvidos às vítimas.

O que Lula disse sobre a fraude

A pergunta sobre Luchsinger partiu de uma mensagem supostamente encontrada no celular da lobista, na qual ela diria ter recebido uma oferta de cargo no governo por parte do presidente. Lula classificou a informação como "uma imbecilidade" e negou conhecê-la, ter conversado com ela ou tê-la tido por perto em algum momento.

Sobre o escândalo do INSS, o presidente afirmou que o esquema de descontos associativos não autorizados foi identificado e denunciado pelo próprio governo, e situou sua origem em 2019. Questionado pelo jornalista César Tralli sobre as explicações do Planalto para o caso, Lula respondeu: "nós já demos as explicações e devolvemos o dinheiro dos aposentados". A pergunta sobre o INSS veio logo depois de um momento de atrito na entrevista, quando o presidente reclamou de montagens e informações que considera falsas sobre sua gestão — tema em que Tralli afirmou que a emissora já havia se retratado, antes de retomar as perguntas sobre a Previdência.

O ressarcimento em números

No mesmo dia da entrevista, o INSS anunciou a conclusão do que classificou como o maior ressarcimento previdenciário da história recente do país: R$ 3,3 bilhões devolvidos a cerca de 4,8 milhões de aposentados e pensionistas que tiveram descontos associativos não autorizados. O prazo de adesão ao programa de restituição havia se encerrado em 20 de junho.

O caso é investigado desde abril de 2025, quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto. Um levantamento apresentado à Justiça no ano passado apontava que ao menos 9 milhões de aposentados e pensionistas haviam registrado algum desconto contestado. Já a CGU estima que, somente entre 2019 e 2024, R$ 6,3 bilhões foram descontados de beneficiários — sem que se saiba, até agora, qual fração desse total corresponde especificamente a cobranças não autorizadas.

O que a checagem mostra sobre a origem do esquema

A agência de checagem Lupa classificou como carente de contexto a afirmação de Lula de que o esquema fraudulento teria sido criado em 2019. Segundo a CGU, os indícios mais fortes de descontos indevidos realmente começam a crescer de forma expressiva a partir daquele ano — mas há denúncias de que a prática é mais antiga. Servidores do INSS relataram à CNN Brasil que os descontos irregulares já ocorriam no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), com queixas levadas à Polícia Federal em 2016 que não tiveram andamento. Outras denúncias, segundo reportagem da Folha de S.Paulo citada pela própria Lupa, situam irregularidades em descontos associativos já a partir de 2005.

A mesma checagem confirmou como verdadeira outra fala do presidente: a de que não existe, até o momento, nenhuma acusação formal contra seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado logo no início da sabatina. Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal que investigam suspeita de tráfico de influência em favor de empresas interessadas em contratos com o governo federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal desde o fim de julho. A distinção feita por Lula corresponde ao rito processual: um investigado só passa à condição de réu depois que o Ministério Público oferece denúncia e a Justiça a aceita.

Contexto da sabatina

A entrevista com Lula foi a quarta de uma rodada de sabatinas que o Jornal Nacional promove nesta semana com os presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas: Romeu Zema (Novo) foi entrevistado na segunda-feira, Ronaldo Caiado (PSD) na terça e Renan Santos (Missão) na quarta; Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante) completam a série na sexta e no sábado. Foi apenas a segunda entrevista concedida por Lula à imprensa desde o início da campanha — ele também não compareceu ao primeiro debate entre presidenciáveis, promovido pela Band no fim de semana anterior.

Segundo análise do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, baseada em avaliações de aliados do próprio presidente, a negativa de contato com Luchsinger foi vista internamente como um dos pontos de maior risco assumido por Lula na sabatina. Ao longo dos 40 minutos de entrevista, ele evitou citar nominalmente seu principal adversário nas pesquisas, Flávio Bolsonaro.


Fontes:

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