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Argentina enfrenta maior queda econômica mensal desde 2023 em fevereiro

Economia argentina registra maior queda mensal desde 2023 em fevereiro com contração de 2,6%, enquanto governo promete recuperação
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Amanda Clark

Contração econômica argentina surpreende com queda de 2,6% em fevereiro

A economia argentina registrou uma contração significativa em fevereiro, apresentando sua maior queda mensal desde 2023. Os dados oficiais divulgados nesta quarta-feira revelam que a atividade econômica caiu 2,6% em relação a janeiro, um resultado que surpreendeu negativamente e ficou muito abaixo das expectativas do mercado. A Bloomberg Economics havia estimado uma queda de apenas 0,5%, tornando o resultado atual consideravelmente mais grave do que o previsto.

Em análise anual, o indicador recuou 2,1%, contrastando drasticamente com a mediana das estimativas que apontava para uma alta de 0,5%. Este cenário representa uma mudança de cenário em relação ao desempenho de janeiro, quando a economia havia crescido 0,4%. Os setores varejista e manufatureiro continuam enfrentando dificuldades significativas, contribuindo para a contração geral da atividade econômica do país.

Otimismo do governo contrasta com realidade econômica

O ministro da Economia, Luis Caputo, havia afirmado no início do mês em Rosário que a economia argentina registraria crescimento em abril e que a inflação mensal também desaceleraria. O presidente Javier Milei, por sua vez, destacou dados de arrecadação tributária de março como indicadores de uma possível recuperação econômica. No entanto, esses sinais de otimismo do governo carecem de confirmação concreta nos números gerais da economia.

Sinais positivos nas exportações e balança comercial

Apesar do quadro desafiador, alguns indicadores mostram movimentos positivos. As exportações em março reverteram com força a queda de 14,5% registrada em fevereiro, avançando 19,8%, segundo a agência nacional de estatísticas. A balança comercial registrou um superávit de US$ 2,5 bilhões em março, o mais alto para o mês desde 1990, representando um sinal claro de impulso econômico, segundo um relatório do JPMorgan.

O primeiro trimestre apresentou um superávit comercial de US$ 5,3 bilhões, impulsionado pelo aumento das exportações, representando um forte crescimento em relação aos US$ 1 bilhão registrados um ano antes. Estes números indicam que o setor exportador argentino está respondendo positivamente aos ajustes econômicos implementados pelo governo.

Inflação permanece como desafio central

A inflação mensal, que o presidente Milei prometeu reduzir para abaixo de 1% este ano, subiu para 3,4% em março e não desacelerou nos últimos dez meses. Embora represente uma melhora significativa em relação à crise herdada por Milei, seu plano de desinflação tem perdido força e não avança ao ritmo esperado. Os economistas na Argentina revisaram para cima suas previsões de inflação para 2026, elevando-as para 29%, segundo a pesquisa de março do banco central.

Desafios políticos e queda de aprovação

O presidente Milei pediu aos argentinos no início deste mês que tenham paciência com a recuperação econômica, adotando um tom incomumente moderado em meio à queda nas pesquisas de aprovação. Seu nível de aprovação caiu no mês passado para o nível mais baixo desde que assumiu o cargo, retrocedendo para 36%, segundo o LatAm Pulse, uma pesquisa realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News.

Em mensagem publicada na rede social X, Milei reconheceu as dificuldades: "Sabemos que os últimos meses têm sido difíceis. Por isso pedimos paciência. Este é o caminho correto. Mudá-lo seria destruir o que foi conquistado". Apesar desse apelo, os economistas revisaram para baixo suas estimativas de crescimento para 2026, reduzindo-as para 3,3%, refletindo preocupações sobre a sustentabilidade das políticas econômicas atuais.

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