Você está em:

Reduflação: por que produtos menores com preços iguais vieram para ficar

O problema não desaparecerá tão cedo, mesmo que a economia se recupere e a inflação diminua
Picture of Amanda Omura

Amanda Omura

Se você vai ao supermercado e sai de lá com embalagens menores, mas o mesmo valor pago na nota fiscal, saiba que não é o único.

A “reduflação” — redução do tamanho ou da quantidade de um produto, ao mesmo tempo em que seu preço permanece estável — está se disseminando cada vez mais.

A economia global sofre com o aumento dos custos das matérias-primas, os atrasos na cadeia de abastecimento e os salários mais elevados dos trabalhadores após a pandemia. E os consumidores estão pagando o preço do aumento dos custos de produção.

Seja com as embalagens de papel higiênico ou com os pacotes de salgadinhos industrializados, a prática da reduflação — que acontece principalmente em tempos de inflação — está sendo registrada em todo o mundo.

Na semana passada, o supermercado Carrefour nas França colocou avisos nos produtos para alertar seus consumidores sobre a diminuição das embalagens sem uma correspondente redução de preço.

Os consumidores estão percebendo as mudanças e, naturalmente, não estão satisfeitos, especialmente porque o seu poder de compra está caindo devido à inflação.

E experiências passadas com a "reduflação" mostram que o fenômeno não termina quando a inflação diminui.

Os consumidores "percebem mais os aumentos de preços do que as reduções de tamanho”, afirma Mark Stiving, da Impact Pricing, uma organização que educa empresas sobre preços.

Como resultado, diz ele, as empresas utilizam a "reduflação" para aumentar os preços de forma "menos dolorosa".

Cammy Crolic, professora da Universidade de Oxford que pesquisa o comportamento dos consumidores, concorda.

Como a população se preocupa mais com o impacto das compras em seu bolso, diz ela, é "mais provável que as pessoas reparem mais no aumento do preço do que na quantidade de produto 'perdida' quando as embalagens encolhem".

Os consumidores nem sempre percebem as mudanças imediatamente; muitas vezes, as mudanças acontecem aos poucos. Por exemplo, uma bebida que anteriormente era vendida em uma garrafa de 300ml um ano atrás, pode agora ser oferecida pelo mesmo preço, mas com apenas 200ml.

E os especialistas dizem que depois que os novos tamanhos chegam às prateleiras, eles tendem a permanecer desse jeito. Phil Lempert, analista da indústria alimentar e editor do SupermarketGuru acrescenta que, como os consumidores não têm escolha, eles precisam se adaptar às mudanças.

Em alguns casos, eles podem mudar para produtos com menor valor. Lempert, que trabalha nos EUA, diz que a fidelidade à marca despenca em épocas de 'reduflação', com as pessoas frequentemente fazendo transição para as marcas próprias dos supermercados.

Posts Relacionados

Lucro de 5 Gigantes Petrolíferas Dispara 160% com Tensões no Irã e Atinge US$ 47 Bilhões

Lucro de 5 Gigantes Petrolíferas Dispara 160% com Tensões no Irã e Atinge US$ 47 Bilhões

Gigantes petrolíferas registram lucros recordes de US$ 47 bilhões com aumento de 160% devido a tensões no Irã. Saiba mais sobre o impacto geopolítico.

Ministro da Fazenda atribui alta da dívida pública aos juros, não ao resultado do governo

Ministro da Fazenda atribui alta da dívida pública aos juros, não ao resultado do governo

Ministro da Fazenda atribui alta da dívida pública aos juros elevados. Dívida atinge 81,9% do PIB em junho de 2026.

CEO do Bradesco descarta adesão ao Desenrola Adimplentes e registra lucro recorde de R$ 7,1 bilhões

CEO do Bradesco descarta adesão ao Desenrola Adimplentes e registra lucro recorde de R$ 7,1 bilhões

Bradesco descarta Desenrola Adimplentes e registra lucro recorde de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. CEO otimista com cenário.

Aposentados que dependem de cuidador podem receber acréscimo de 25% do INSS

Aposentados que dependem de cuidador podem receber acréscimo de 25% do INSS

Benefício conhecido como auxílio-acompanhante é exclusivo da aposentadoria por incapacidade permanente e exige comprovação em perícia; em 2021, o STF barrou a extensão às demais

Compra do mês consome quase dois terços do salário mínimo do brasileiro, aponta estudo

Compra do mês consome quase dois terços do salário mínimo do brasileiro, aponta estudo

Levantamento da dunnhumby com mais de 10 mil consumidores mostra famílias dividindo as compras entre até quatro redes para conter o peso da comida no

Itaú renegocia R$ 1,1 bilhão no Desenrola 2 e atende 371 mil clientes

Itaú renegocia R$ 1,1 bilhão no Desenrola 2 e atende 371 mil clientes

Itaú renegocia R$ 1,1 bilhão no Desenrola 2, atende 371 mil clientes e registra lucro de R$ 12,4 bilhões no 2º trimestre.

Aposentados enfrentam redução de crédito consignado: entenda o dilema da renda complementar

Aposentados enfrentam redução de crédito consignado: entenda o dilema da renda complementar

Saiba como a redução da margem consignável afeta aposentados do INSS e por que 60% precisam de crédito para despesas básicas.

Justiça Federal libera R$ 2,4 bilhões em atrasados do INSS para 157,7 mil segurados; veja como consultar

Justiça Federal libera R$ 2,4 bilhões em atrasados do INSS para 157,7 mil segurados; veja como consultar

Pagamento por RPV chega só a quem já venceu ação contra o instituto na Justiça, com valores de até R$ 97,2 mil por processo

pt_BRPortuguese