Primeiro visto 'cartão ouro' é aprovado pelo governo Trump
O governo do presidente Donald Trump aprovou o primeiro visto do programa chamado 'cartão ouro', uma iniciativa que permite a estrangeiros investir no mínimo US$ 1 milhão para obter o direito legal de viver e trabalhar nos Estados Unidos. A aprovação foi confirmada na quinta-feira, 23 de abril, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, durante uma audiência no Congresso, revelando desenvolvimentos concretos em torno de uma proposta anunciada com grande fanfarra pelo presidente americano.
De acordo com Lutnick, apenas uma pessoa recebeu autorização até o presente momento, embora centenas de candidatos estejam aguardando análise de seus pedidos. Essa informação contrasta significativamente com declarações anteriores do próprio secretário, que em dezembro afirmou que o governo teria arrecadado o equivalente a US$ 1,3 bilhão em poucos dias com a venda deste novo tipo de visto.
Um programa 'turbinado' para atrair riqueza internacional
Apresentado em dezembro como uma espécie de 'green card turbinado', o projeto foi inicialmente divulgado com um custo inicial de até US$ 5 milhões por candidato. Segundo Trump, a proposta teria como objetivo principal atrair estrangeiros ricos, estimular a economia americana e ampliar o influxo de capital investido diretamente no país.
O programa busca especificamente substituir o tradicional EB-5, um modelo em vigor há décadas que concede residência a estrangeiros que investem cerca de US$ 1 milhão em empresas americanas e geram no mínimo 10 empregos. Embora ambos requeiram investimentos similares, o novo cartão ouro propõe um processo mais simplificado e direto.
Estrutura de custos e processo de aprovação
Além do investimento mínimo obrigatório de US$ 1 milhão, cada candidato deve pagar uma taxa adicional de US$ 15 mil para análise de seu pedido. De acordo com o governo, essa taxa financia um processo rigoroso de verificação de antecedentes e elegibilidade. O programa também prevê que empresas possam investir até US$ 2 milhões para contratar trabalhadores estrangeiros, mediante pagamento de taxas adicionais variáveis.
Apesar da baixa adesão inicial, Lutnick demonstrou otimismo quanto ao desenvolvimento do programa. 'Eles acabaram de montar tudo e queriam ter certeza de que fariam isso perfeitamente', afirmou o secretário durante sua apresentação no Congresso, sugerindo que a infraestrutura ainda está em fase de consolidação.
Expectativas financeiras e realidade atual
Há aproximadamente um ano, Lutnick chegou a afirmar que o programa poderia gerar até US$ 1 trilhão em receitas e contribuir significativamente para equilibrar o orçamento federal americano. Atualmente, a dívida pública dos Estados Unidos gira em torno de US$ 31,3 trilhões, enquanto o déficit anual projetado é de aproximadamente US$ 2 trilhões, segundo estimativas de órgãos independentes.
O site oficial do programa apresenta um visual chamativo, com o slogan 'Desbloqueie a vida na América' e a imagem de um cartão dourado estampado com o rosto de Trump, além de símbolos nacionais como a Estátua da Liberdade e a águia americana.
O cartão platina e a estratégia migratória
A página promocional também apresenta um produto ainda mais exclusivo: o 'Trump Platinum Card', no valor de US$ 5 milhões, que oferece benefícios fiscais especiais e direito a permanência prolongada no país, com vantagens que ultrapassam as oferecidas pelo cartão ouro padrão.
O lançamento deste visto ocorre em um contexto de política migratória mais rígida implementada pelo governo Trump, marcada por diversas medidas restritivas contra imigrantes sem status legal. Simultaneamente, o presidente tem defendido públicos a ampliação da imigração qualificada, um perfil que precisamente o 'cartão ouro' busca atingir e estimular.
Modelos internacionais similares
Programas similares de vistos para investidores já existem em diversos países desenvolvidos, como Reino Unido, Espanha, Grécia, Malta, Austrália, Canadá e Itália, que adotam políticas semelhantes para atrair capital estrangeiro por meio da concessão de residência permanente ou temporária. O modelo americano, porém, busca se diferenciar pela simplicidade do processo e pela eliminação de exigências de geração de empregos locais.
