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Áudios de Cobrador Incriminam Deolane Bezerra: ‘Eles Lavam Dinheiro do Crime para Nós’

Áudios de cobrador confessam lavagem de dinheiro envolvendo Deolane Bezerra. Polícia Civil usa material como prova incriminadora na Operação Vérnix.
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Amanda Clark

Evidências Cruciais no Inquérito da Operação Vérnix

A Polícia Civil de São Paulo incorporou ao inquérito da Operação Vérnix um conjunto significativo de áudios e vídeos enviados via WhatsApp a uma ex-funcionária de Deolane Bezerra. Neste material, um interlocutor masculino não identificado admite explicitamente que o dinheiro cobrado era oriundo de atividades criminosas e que a família da advogada integrava uma rede de lavagem de capitais.

Os áudios foram registrados pela ex-colaboradora da família e compartilhados em um procedimento que tramitou no Deinter 3, em Ribeirão Preto. No relatório final da Polícia Civil, esse material não é tratado como simples ameaça, mas como corroboração externa à tese central do inquérito de que a influenciadora realizava lavagem de dinheiro para organizações criminosas.

O Episódio que Desencadeou as Ameaças

Danise Bastos prestava serviços de limpeza para Deolane desde 2021 e, a partir de 2024, passou a limpar também os apartamentos dos filhos da advogada, Gilliard e Kayky, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. O incidente ocorreu no dia 24 de novembro de 2025, quando ela esteve no apartamento de Kayky.

No dia seguinte, Kayky entrou em contato com a funcionária questionando o desaparecimento de um maço de dinheiro que estava no quarto. Danise negou ter levado qualquer valor, porém começou a receber ligações de Deolane com ofensas e ameaças, exigindo a devolução de aproximadamente R$ 80 mil.

A diarista relatou à polícia que seguranças da advogada foram até sua residência e realizaram buscas no imóvel, carro e celular. Segundo o relatório, ela afirmou ter permitido a revista por pressão psicológica e temor. Com medo, decidiu retornar para Ribeirão Preto, cidade onde sua família reside.

Mensagens Ameaçadoras e Confissão de Crime

Dias depois, Danise passou a receber mensagens de números não identificados com ameaças relacionadas ao suposto furto. Nos áudios, um homem desconhecido a acusa de furtar os R$ 80 mil e afirma diretamente que o dinheiro tinha origem criminosa. Por conta do assédio telemático, a ex-funcionária registrou boletim de ocorrência, e os arquivos foram anexados ao inquérito.

Nas mensagens transcritas no relatório da Polícia Civil, atribuídas a Deolane, ela diz: "Devolve o dinheiro do meu filho e segue a sua vida, entendeu? Vai lá aonde você guardou, pega e traz na minha casa." Em outro áudio, questiona a credibilidade da diarista e descreve suspeitas sobre sua conduta.

A Confissão do Cobrador

O material mais incriminador vem de um interlocutor identificado pelos investigadores como "cobrador". Este homem não identificado é explícito ao admitir: "O dinheiro é oriundo do crime... Nóis lava dinheiro nos parceiros lá. A mãe do parceiro, o parceiro fecha com nóis".

Prosseguindo, afirma: "Você catou o dinheiro lá na caminhada lá, com o menino lá, filho da Deolane que eles são playboy; rico; o caralho a quatro... Eles lavam dinheiro pra nóis; dinheiro do crime, certo?"

Para os investigadores, o "parceiro" que "fecha" com eles é identificado como Kayky, filho de Deolane, dado que o dinheiro desapareceu em seu apartamento. A "mãe do parceiro" é interpretada como referência direta a Deolane Bezerra, inserindo-a no esquema narrado pelo próprio cobrador.

Análise dos Investigadores

O relatório final classifica os áudios atribuídos ao cobrador como de elevada relevância probatória. Para os investigadores, a fala vai além do crime de ameaça e funciona como admissão da própria organização criminosa sobre a origem ilícita dos valores e a dinâmica de sua circulação.

Os investigadores afirmam que "o áudio não deve ser compreendido apenas como instrumento de ameaça à vítima, mas como verdadeiro elemento informativo de corroboração externa da tese de lavagem de dinheiro investigada nestes autos".

O relatório conclui que os valores em espécie vinculados ao núcleo familiar de Deolane Bezerra decorrem de atividade criminosa antecedente e estão inseridos em fluxo permanente de ocultação e dissimulação de capitais. Esta evidência reforça a tese central do inquérito de que a influenciadora integrava uma rede complexa de lavagem de dinheiro para organizações criminosas.

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