Busca Encerrada com Morte do Magistrado
O desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho foi encontrado morto na tarde de terça-feira nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, encerrando um mês de buscas intensas que mobilizou órgãos de segurança e autoridades judiciárias. O corpo foi localizado por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) em conjunto com o Corpo de Bombeiros, após investigações sistemáticas conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
De acordo com as informações divulgadas, não havia sinais aparentes de violência no corpo encontrado. A perícia foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para os procedimentos de identificação e análise das circunstâncias da morte. As investigações continuam em andamento para esclarecer os detalhes exatos do ocorrido.
Um Mês de Desaparecimento
O magistrado de 64 anos estava desaparecido desde 14 de abril, quando foi visto pela última vez saindo de sua residência em Ipanema. Segundo as investigações, naquele dia ele sacou R$ 1 mil e embarcou em um táxi com destino à Vista Chinesa, tradicional mirante localizado na Floresta da Tijuca. O taxista foi crucial para as investigações, fornecendo informações sobre o destino do desembargador.
O caso foi revelado inicialmente pelo colunista Lauro Jardim e mobilizou o alto escalão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do tribunal realizava reuniões semanais com investigadores da Polícia Civil para acompanhar o andamento das apurações, evidenciando a preocupação institucional com o desaparecimento.
Comunicado Oficial do TRF-2
Por meio de nota oficial, o TRF-2 informou com profundo pesar que o corpo encontrado no Parque Nacional da Tijuca apresenta indícios de ser do desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho. O tribunal destacou, porém, que a identificação oficial ainda depende da confirmação das autoridades responsáveis pela investigação. O presidente do tribunal, desembargador federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do magistrado.
Repercussão Familiar e Comunitária
Na semana anterior ao achado do corpo, a família realizou uma missa em homenagem ao desembargador na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca. Durante o evento, seu irmão, o contador aposentado José Paulo Martins Ribeiro, de 67 anos, compartilhou informações sobre as circunstâncias do desaparecimento e expressou sua angústia diante da situação.
Um cartaz foi produzido para ser distribuído aos participantes da missa, contendo dados como o nome completo do desembargador, seu destino no dia do desaparecimento, a data do sumiço e a descrição das roupas que estava usando: calça e casaco pretos. O material também incluía contatos da DDPA e do Disque Denúncia, pedindo que as pessoas compartilhassem a informação.
Situação Pessoal e Contexto Legal
Separado, o desembargador tinha três filhos: uma mulher, um homem e uma menina de 8 anos. Em maio do ano anterior, o magistrado havia sido afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça por suspeita de agressões contra a ex-mulher, situação que gerou considerável tensão em sua vida pessoal e profissional.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro afirmou que a ex-mulher foi vítima de violência doméstica e familiar. O magistrado foi denunciado pelo Ministério Público Federal pela prática de crimes relacionados à violência doméstica, com o processo tramitando em segredo de justiça perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deferiu medida protetiva de urgência em favor da ex-mulher.
O desaparecimento ocorreu em um contexto onde o desembargador estava impedido de se aproximar de sua filha caçula há aproximadamente um ano, situação que, conforme relatos familiares, afetava profundamente seu estado psicológico. Seu irmão ressaltou a necessidade de paz e empatia neste momento difícil para toda a família.
