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PF rejeita segunda delação de Vorcaro e pede sua transferência de carceragem no STF

PF rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro e pede sua transferência da carceragem. Banco Master deixou rombo de R$ 50 bilhões.
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Amanda Clark

Rejeição da Delação Premiada

A Polícia Federal solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a remoção do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, da carceragem especial da superintendência da corporação em Brasília. Este pedido foi formalizado junto com a comunicação oficial da rejeição da segunda proposta de colaboração premiada apresentada pelo acusado.

A decisão representa um ponto de inflexão nas negociações entre o banqueiro e as autoridades investigativas. Segundo a avaliação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), a documentação entregue não apresentava conteúdo suficientemente inovador para justificar o prosseguimento do acordo de delação, além de carecer de elementos probatórios essenciais para este tipo de colaboração.

Trajetória da Prisão e Negociações

Vorcaro foi inicialmente encaminhado para a Penitenciária Federal de Brasília quando de sua captura. Após firmar um acordo de confidencialidade em março, marcando o início das tratativas de delação, ele foi autorizado a ocupar uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde podia receber advogados diariamente entre 9h e 17h.

Quando a primeira proposta foi rejeitada em maio, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na superintendência. Contudo, quando as negociações foram retomadas, ele voltou à cela especial, demonstrando a dinâmica das negociações até este momento.

Motivos da Rejeição

Os investigadores apontam diversos fundamentos para a rejeição. Em primeiro lugar, o material apresentado não trazia novidades substanciais ao que já havia sido identificado pelas investigações. Além disso, faltavam elementos de prova considerados indispensáveis para acordos de colaboração premiada.

A PF tem em seu poder oito celulares de Vorcaro com acesso a documentos e mensagens. Os investigadores avaliam que o banqueiro possui poucas condições de corroborar seus relatos com documentação, especialmente porque perdeu o controle do Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro.

A percepção predominante entre investigadores é que Vorcaro procurou mais se defender e justificar favores à classe política do que efetivamente admitir crimes e indicar novos caminhos investigativos, como seria esperado em uma delação genuína.

As Acusações Contra Vorcaro

Vorcaro é suspeito de comandar um esquema sofisticado de fraudes financeiras que prejudicou significativamente correntistas e investidores do Banco Master. Este esquema de fraude incluiu fundos de previdência de estados e municípios, como o Rioprevidência.

O rombo gerado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre aplicações de até R$ 250 mil, alcançou aproximadamente R$ 50 bilhões, representando uma das maiores fraudes do setor financeiro brasileiro.

Histórico de Negociações

Esta é a segunda ocasião em que a PF se retira das negociações com o banqueiro. A primeira ocorreu em maio, resultando em uma troca na equipe de defesa. O advogado José Luis Oliveira Lima deixou o caso, que agora é conduzido pelo criminalista Sérgio Leonardo.

A defesa de Vorcaro argumenta que o material entregue contém um conjunto de históricos inéditos e consistentes, sustentando haver má vontade dos investigadores em prosseguir com o acordo.

Entendendo a Colaboração Premiada

Um acordo de colaboração premiada constitui um mecanismo legal de obtenção de provas que prevê confissão de crimes e pagamento de multa. Em contrapartida, o investigado recebe benefícios como redução de pena e progressão de regime.

Para ter validade jurídica, a delação deve ser homologada pelo ministro relator André Mendonça. O ministro já sinalizou que não concordará com a colaboração se ela não acrescentar fatos novos à apuração. Caso o acordo não prospere, a PF e a PGR ficam impedidas de utilizar o conteúdo dos anexos já entregues.

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