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Investimento de R$ 850 milhões traz Porto e estaleiro do Norte do RJ de volta ao destaque

O projeto do Complexo Logístico Farol de Barra do Furado, na divisa de Campos dos Goytacazes com Quissamã, será retomado após quase 15 anos de paralisação. Com investimento estimado em R$ 850 milhões, o empreendimento prevê terminal portuário, estaleiro e operação voltada à reciclagem naval e ao apoio offshore.
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Amanda Clark

Depois de quase 15 anos parado, o projeto do Complexo Logístico Farol de Barra do Furado voltou ao mapa dos grandes investimentos no Norte Fluminense. A proposta, localizada na divisa entre Campos dos Goytacazes e Quissamã, prevê aporte estimado em R$ 850 milhões para tirar do papel um terminal portuário e um estaleiro com foco em reciclagem naval, desmantelamento de embarcações e apoio às operações offshore.

O projeto nasceu ainda no início da década passada, mas acabou travado no meio do caminho. Pesaram a crise econômica entre 2014 e 2016, o colapso de investimentos no setor de óleo e gás e os efeitos da Operação Lava-Jato sobre a indústria naval e offshore. Agora, a retomada ocorre com novo desenho de negócio e com a entrada de um parceiro financeiro de peso.

A reativação ganhou força com a entrada do Banco Fator, por meio da Fator Empreendimentos e Participações, como investidor minoritário e articulador da estrutura financeira do projeto junto a um pool de bancos. Esse rearranjo ajudou a destravar uma iniciativa que, por anos, virou quase uma promessa fantasma no litoral norte do estado.

O novo cronograma prevê início das obras ainda em 2026. Reportagens locais apontam que a pedra fundamental seria lançada neste fim de março, enquanto a operação do complexo é projetada para algum momento entre 2027 e 2028.

O empreendimento terá cerca de 1 milhão de metros quadrados e mais de 900 metros de cais, numa área próxima ao Canal das Flechas, aberto na década de 1940 para ligar a Lagoa Feia ao mar. A ideia original, mais voltada à manutenção e ao reparo de embarcações de apoio offshore, foi reformulada. Agora, o coração do projeto passa a ser o desmantelamento e a reciclagem de navios e plataformas, além do atendimento à cadeia offshore e, no futuro, a operações ligadas à energia eólica no mar.

A mudança não é pequena. Ela coloca o projeto dentro de um setor que começa a ganhar outra relevância no mundo. A estimativa é de aumento forte da demanda por reciclagem de embarcações e por descomissionamento de estruturas offshore nos próximos anos. É justamente nessa janela que a BR Offshore tenta posicionar Barra do Furado.

Além do discurso industrial, há o argumento regional. A expectativa divulgada em reportagens sobre o projeto é de geração de cerca de 800 empregos diretos e até 3,2 mil indiretos quando o complexo estiver em operação. A dragagem do canal também aparece como promessa de impacto econômico para outras atividades da região, inclusive a pesca.

Mas o projeto também esbarra num ponto que o setor acompanha de perto: a falta de um marco regulatório federal mais claro para a reciclagem de embarcações. O Projeto de Lei 1584/2021, que trata da reciclagem naval no Brasil, avançou em comissões da Câmara dos Deputados, mas ainda segue em tramitação. A proposta busca alinhar o país à Convenção Internacional de Hong Kong, que entrou em vigor em 26 de junho de 2025 e trata da reciclagem segura e ambientalmente adequada de navios.

No caso do Rio de Janeiro, o estado já saiu na frente e aprovou a Lei nº 10.028/2023, que estabelece diretrizes para o desmantelamento de embarcações e de ativos marítimos offshore. Isso ajuda a criar algum ambiente jurídico local para a atividade, embora o setor ainda cobre regras nacionais mais robustas para dar escala e segurança ao mercado.

No fim, a retomada de Barra do Furado mistura oportunidade real e velha cautela fluminense. O projeto conversa com a economia do petróleo, com a agenda da reciclagem industrial e com a tentativa de recolocar o Norte Fluminense no mapa dos grandes investimentos logísticos. A diferença, agora, é que o foco saiu do estaleiro tradicional e foi para uma frente mais alinhada ao que o mercado começa a pedir. Se vai sair mesmo do papel desta vez, é outra história. Mas, ao menos por ora, voltou a existir.

Com informações do Fator Brasil

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