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Minha Estrela Dalva: Renato Borghi e Soraya Ravenle homenageiam a lenda da música brasileira

Minha Estrela Dalva: Renato Borghi e Soraya Ravenle homenageiam a maior cantora brasileira em espetáculo revolucionário no Teatro Claro Mais.
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Amanda Clark

Um encontro impossível entre o teatro épico e a rainha da voz

A partir de 31 de julho, o Teatro Claro Mais se transforma em um espaço mágico onde o esplendor das rádios dos anos 50 conversa intimamente com o teatro épico de Bertolt Brecht. O espetáculo "Minha Estrela Dalva" representa bem mais que uma simples biografia: é um encontro impossível, uma carta de amor dramatizada para Dalva de Oliveira, uma das maiores cantoras populares brasileiras de todos os tempos.

A produção chega ao palco com uma premissa revolucionária. O ator e dramaturgo Renato Borghi, em cena, invade imaginariamente o camarim de sua musa para realizar um sonho que a vida jamais permitiu: propor a Dalva de Oliveira um espetáculo onde a "Rainha da Voz" cantaria as obras de Bertolt Brecht e Kurt Weill, dois gigantes da música europeia do século XX.

Soraya Ravenle encarna a maior diva do rádio brasileiro

A premiada atriz Soraya Ravenle traz à vida a icônica cantora, em um papel que parece feito sob medida para seu talento. Por uma coincidência que roça o destino, Ravenle iniciou sua trajetória no teatro musical no coro de "A Estrela Dalva" (1987), o sucesso de Borghi com Marília Pêra, e agora retorna para ocupar o centro do palco e encarnar a própria lenda que a inspirou.

A atriz manifesta sua emoção ao integrar este projeto: "Nem nos meus mais belos sonhos eu poderia imaginar estar ao lado de Renato Borghi para falar de seu amor e devoção por Dalva de Oliveira, considerada por Villa-Lobos e tantas outras pessoas como a maior cantora popular brasileira." Com sua potência vocal reconhecida, Soraya não interpreta meramente uma personagem histórica, mas corporifica a força bruta da natureza que cantou a dor com a garganta em chamas.

A mulher por trás do mito: rebeldia e liberdade

Ao revistar a trajetória extraordinária de Dalva de Oliveira, o espetáculo revela verdades profundas sobre a vida da artista. A peça expõe como cada homem que passou pela existência da estrela exerceu sobre ela um poder específico: o poder de definir quem ela era, quanto valia e quando deveria desaparecer. É neste contexto que a resposta de Dalva ganha força, ressoando pela peça como um refrão libertador: "Eu não tenho dono."

Esta declaração encapsula a essência de uma mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto, que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando transformado em canto, vira beleza. O "Rouxinol do Brasil" ressurge neste "delírio documentado" como símbolo de independência e força.

Uma obra coletiva de excelência artística

A direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas conduz o espetáculo com maestria, fundindo passado e presente em uma narrativa coesa. Elcio também sobe ao palco para interpretar o Renato jovem, revelando a profundidade do encontro entre fã e artista. Em suas palavras: "Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em me como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento."

A história de Renato Borghi com Dalva de Oliveira começa aos seis anos de idade. Sua mãe lhe presenteou com um disco da trilha sonora de "A Branca de Neve", interpretado pela voz inconfundível de Dalva. Ali, naquela vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora que atravessaria décadas, palcos e revoluções, culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes do falecimento da artista.

Um elenco de talentos em perfeita harmonia

Ivan Vellame empresta sua voz rara e inconfundível para dar vida aos amores tempestuosos que marcaram a história da cantora, com destaque especial para o compositor Herivelto Martins. O ator expressa esperança no impacto transformador do espetáculo: "Eu espero que, principalmente, os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões."

A encenação ganha força adicional com os arranjos e a direção musical de William Guedes, que conduzem a sonoridade afetiva do espetáculo. Os corpos dos atores se movem sob a delicada direção de Roberto Alencar e Irupe Sarmiento. A dimensão visual é criada pelo cenário monumental de Márcia Moon, pela iluminação estratégica de Wagner Pinto e pelos figurinos cuidadosamente trabalhados por Fábio Namatame.

Onde e quando assistir

O espetáculo funcionará em sessões às quintas e sábados, às 20h, e às sextas e domingos, às 17h. Assinantes O GLOBO garantem desconto especial para vivenciar este reencontro emotivo de um artista com sua musa inspiradora. Imperdível para quem ama teatro, música e história da cultura brasileira.

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