Momento de forte tensão emocional marca depoimento da babá
O julgamento da morte de Henry Borel chegou a um ponto crítico neste domingo, quando a babá Thayná de Oliveira Ferreira, uma das testemunhas mais aguardadas de todo o processo, pediu explicitamente para deixar a sala durante seu depoimento. Em um momento de evidente sofrimento emocional, a babá se inclinou para sua advogada e sussurrou: "Eu preciso sair daqui. Eu não estou bem."
Relatos contínuos de preocupação com a criança
Durante sua oitiva, Thayná reafirmou que mantinha contato constante com Monique Medeiros, comunicando em tempo real sobre situações que considerava alarmantes envolvendo Henry e Jairinho. A babá chegou a qualificar o que presenciava como uma "tortura" contra a criança, revelando uma situação de abuso potencial que a perturbava profundamente.
Segundo o depoimento, a babá nunca testemunhou uma agressão física direta, mas relatou circunstâncias preocupantes, incluindo momentos em que Henry ficava trancado em um quarto com Jairinho e marcas visíveis no corpo da criança. Estas observações foram sistematicamente comunicadas a Monique, demonstrando que a mãe estava ciente dos fatos relatados.
Sugestão de câmeras e conhecimento da mãe
Em um esforço para documentar e se proteger legalmente, Thayná relatou que sugeriu a Monique a instalação de câmeras no apartamento. "Eu pedi para ela colocar câmeras", afirmou a babá, indicando que ela própria buscava encontrar formas legítimas de registrar e alertar sobre a situação preocupante.
Questionamentos agressivos da defesa
A defesa de Monique Medeiros, no entanto, adotou uma estratégia de contra-ataque, questionando a conduta da própria babá. Os advogados sugeriram que, se Thayná realmente acreditava que Henry corria risco iminente, ela deveria ter tomado medidas mais drásticas, como procurar a polícia. Este argumento buscava minar a credibilidade da testemunha, explorando repetidamente o fato de ela nunca ter formalizado uma denúncia policial.
Em resposta, a babá explicou seu estado emocional durante aquele período: "Eu também ficava nervosa, assim como o Henry", afirmando que o medo e a ansiedade a paralisavam, assim como afetavam a própria criança.
Caos no plenário e confronto entre profissionais
A tensão acumulada ao longo do depoimento culminou em um confronto direto entre membros da acusação e defesa. O assistente de acusação Cristiano Medina e o advogado Hugo Novais, representante de Monique, protagonizaram uma acalorada troca de acusações em voz alta. Os dois discutiram apontando dedos um para o outro em curta distância, diante dos jurados, obrigando a juíza Elizabeth Machado Louro a intervir para restabelecer a ordem no tribunal.
Este episódio ilustra a intensidade emocional e as posições irreconciliáveis que marcam este importante caso de morte infantil, onde questões de responsabilidade, negligência e culpa estão no centro de um debate judicial que continua gerando momentos de extrema tensão.
