Investigação Anterior por Fraude Tributária
O proprietário da empresa contábil responsável pelo pagamento de R$ 500 mil ao escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, possui um histórico de investigações envolvendo crimes contra a ordem tributária. Em 2020, o contador Rogério Lourenço Novo foi acusado pela Polícia Federal de utilizar notas fiscais falsas, prática que se estendeu entre 2013 e 2015 através de outras três empresas de sua propriedade.
O processo enfrentado por Novo envolveu valores expressivos na época. A Justiça Federal de Sorocaba (SP) arquivou o caso em 2021, conforme solicitação do Ministério Público Federal, após a empresa realizar os pagamentos dos débitos gerados por meio das firmas de fachada. Os valores totalizavam R$ 94 milhões, considerando tanto o montante sonegado quanto as multas aplicadas durante o período investigado.
Detalhes sobre as Empresas Envolvidas
Rogério Lourenço Novo é sócio único da Contábil Corrêa Contabilidade & Auditoria Ltda., empresa criada originalmente em março de 2005 com o nome Contábil Corrêa Ltda. A mudança de denominação ocorreu em 2023. Além dessa empresa, outras firmas do mesmo segmento estão registradas no mesmo endereço localizado na Rua Niterói, 362, conjunto 47, no Centro de São Caetano do Sul, no ABC paulista.
No mesmo local funcionam o Escritório de Prestação de Serviços Global Ltda. e a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., empresa que também pertence a Novo. A Copenhagen tornou-se conhecida por receber duas notas fiscais de R$ 500 mil cada uma do escritório de Flávio Bolsonaro, totalizando R$ 1 milhão. Ambas as notas foram posteriormente canceladas.
Conexão com o Escândalo do Master
Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado revelam que o Banco Master transferiu R$ 57,9 milhões para a Copenhagen entre 2024 e 2025, conforme informações da Receita Federal. A Copenhagen, que possui capital social declarado de apenas R$ 40, é investigada sob suspeita de ser uma firma de fachada, funcionando apenas como intermediária sem atividades efetivas no local registrado ou em qualquer outro endereço.
A Contábil Corrêa, diferentemente, recebeu uma única emissão de R$ 500 mil do escritório de advocacia Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, nota que não foi cancelada. Essa empresa se apresenta ao mercado como atuante há 40 anos e mantém presença em redes sociais, com 700 seguidores no Instagram e publicações regulares sobre temas contábeis.
Resposta de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro manifestou-se através de vídeo divulgado nas redes sociais, afirmando ter prestado serviços advocatícios legítimos à Contábil Corrêa. Segundo suas declarações, ele atuou como contratado para realizar trabalho específico e manteve relação completamente legal e privada com a empresa. Quanto à Copenhagen, Flávio alegou ter recusado a oportunidade de trabalhar com a empresa e cancelou as duas notas fiscais a ela relacionadas.
Flávio Bolsonaro enfatizou não ter movimentado qualquer valor com a Copenhagen e protestou contra tentativas de vinculação falsas entre seu nome e os escândalos envolvendo o Banco Master. Ele destacou que a Copenhagen teria sido utilizada por Daniel Vorcaro para fazer pagamentos a outras pessoas, situação que não o envolveria.
Situação Atual do Processo
Em 8 de outubro de 2025, a defesa de Rogério Lourenço Novo solicitou a baixa do processo e a retirada de seu nome da ação, porém ele permanece registrado de forma pública nos sistemas judiciários. Procurado para esclarecer detalhes sobre os serviços prestados a Flávio Bolsonaro e sobre o processo anteriormente arquivado, o contador não respondeu às tentativas de contato da imprensa.
Importante ressaltar que o caso anterior envolvendo notas fiscais falsas não possui relação direta com as notas emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro, configurando-se como dois contextos distintos de investigação. No entanto, o histórico de Novo levanta questionamentos sobre a natureza das operações financeiras envolvidas em sua rede de empresas.
