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Ex-PM condenado a 33 anos de prisão pela morte do contraventor Fernando Iggnácio no Rio

Ex-PM Rodrigo da Silva das Neves condenado a 33 anos de prisão pela morte do contraventor Fernando Iggnácio no Rio de Janeiro em 2020.
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Amanda Clark

Condenação do Ex-Policial Militar

O Conselho de Sentença do I Tribunal do Júri da Capital proferiu sentença condenando o ex-policial militar Rodrigo da Silva das Neves a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo homicídio triplamente qualificado do contraventor Fernando Iggnácio. O crime, executado em 2020, ocorreu no estacionamento de um heliponto localizado no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, chocando a população local e atraindo atenção de órgãos de segurança pública.

Detalhes do Crime e Investigação

Segundo o juiz Thiago Portes Vieira de Souza, presidente do júri, o amplo conjunto probatório revelou que Rodrigo exercia papel de destaque no planejamento e execução da morte de Iggnácio. A investigação comprovou que o veículo utilizado na execução do homicídio dirigiu-se ao condomínio residencial Vera Cruz, local onde o acusado residia à época e onde todos os executores desembarcaram, evidenciando seu envolvimento direto nos acontecimentos.

Abuso de Poder e Desvio de Função

O magistrado ressaltou em sua sentença a gravidade da conduta do acusado, destacando que Rodrigo da Silva das Neves exercia a função de policial militar do Estado do Rio de Janeiro na ativa, tendo o dever constitucional de garantir a segurança pública e reprimir a criminalidade. Paradoxalmente, o ex-PM optou por se envolver intimamente com personagens da máfia da contravenção do jogo do bicho, praticando exatamente a conduta que deveria combater e utilizando seus conhecimentos policiais adquiridos durante o exercício profissional para efetivar o crime.

Conexão com o Jogo do Bicho

A investigação também revelou uma forte ligação entre o ex-policial militar e o universo do jogo do bicho. O bicheiro Rogério Andrade, rival direto de Fernando Iggnácio, é apontado como o possível mandante do crime. Andrade nega qualquer envolvimento na execução, mas permanece como principal suspeito nas investigações.

Contexto Familiar e Criminal

Importante ressaltar que Fernando Iggnácio e Rogério Andrade eram, respectivamente, genro e sobrinho do contraventor Castor de Andrade, figura histórica do jogo do bicho no Rio de Janeiro que faleceu em 1997. Esta conexão familiar coloca o crime em contexto maior de disputa pelo controle das operações ilegais na região.

Outros Acusados e Desdobramentos

Dois outros indivíduos acusados de serem executores diretos do crime, os irmãos Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, deveriam ser julgados no mesmo júri. Contudo, em estratégia de defesa, ambos decidiram dispensar seus advogados no primeiro dia de julgamento e foram adiados para julgamento em data posterior. Outro suspeito de participação no crime, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, foi encontrado morto em 2022, antes de poder responder pelos crimes em tribunal.

Posicionamento da Defesa

A defesa de Rodrigo da Silva das Neves argumentou que não havia provas que vinculassem de forma irrefutável o ex-PM à morte de Fernando Iggnácio. Apesar dos argumentos apresentados, o júri considerou suficiente o material probatório coletado durante a investigação, condenando o acusado com base em evidências circunstanciais e testemunhais que apontavam sua participação ativa no planejamento e execução do homicídio.

Impacto na Segurança Pública

Este caso representa um dos muitos crimes que marcaram a história recente do Rio de Janeiro relacionados ao jogo do bicho, evidenciando a corrupção dentro das forças de segurança e a necessidade de maior vigilância sobre a atuação de policiais envolvidos com organizações criminosas. A condenação do ex-PM serve como exemplo da justiça perseguindo aqueles que abusam de suas posições para cometer crimes graves.

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