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STF abre inquérito para investigar denúncias de importunação sexual contra ministro Marco Buzzi do STJ

STF abre inquérito para investigar denúncias de importunação sexual contra ministro Marco Buzzi do STJ com base em parecer da PGR.
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Amanda Clark

Investigação criminal é determinada por Nunes Marques

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito criminal para apurar as acusações de importunação sexual contra o ministro afastado Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão foi fundamentada em parecer da Procuradoria-Geral da República, que identificou elementos suficientes para instauração da investigação. O magistrado investigado nega categoricamente as acusações e sua defesa repudia o que chamam de "linchamento moral".

Parecer da PGR e análise inicial das provas

A manifestação da Procuradoria-Geral da República foi enviada ao Supremo em 31 de março, com o procurador-geral Paulo Gonet afirmando haver "elementos suficientes para instauração do inquérito". Na decisão que abriu a investigação, Nunes Marques destacou que os elementos já coletados conferem plausibilidade inicial às denúncias. O magistrado ressaltou que "as declarações prestadas pela vítima, por seus genitores e as provas produzidas nas instâncias administrativas conferem, em exame inicial, plausibilidade à hipótese delitiva apresentada".

Acusações contra o ministro

As denúncias incluem dois casos distintos. O primeiro envolve uma jovem de 18 anos que acusa o ministro de tentativa de agressão física em três ocasiões diferentes na praia de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, durante janeiro deste ano. De acordo com a denúncia, os episódios ocorreram durante férias em que a jovem estava acompanhando a família do próprio ministro. A segunda denúncia foi apresentada por uma ex-funcionária que trabalhou no gabinete de Buzzi.

Processo administrativo disciplinar paralelo

Concomitantemente à investigação criminal, avança a apuração administrativa no âmbito do STJ. Nesta terça-feira, o plenário da Corte foi chamado a decidir sobre a abertura de um processo administrativo disciplinar (PAD) contra Buzzi, seguindo recomendação de uma comissão de sindicância. Nos bastidores do judiciário, há expectativa de que o colegiado acompanhe o relatório e autorize a abertura do procedimento, que representa uma etapa mais aprofundada da investigação e pode resultar em sanções administrativas contra o ministro.

Decisões judiciais anteriores

Na segunda-feira anterior à determinação do inquérito, Nunes Marques já havia negado um pedido da defesa de Buzzi para suspender a sindicância em curso no STJ. Os advogados do ministro alegavam que as provas testemunhais compartilhadas com o Supremo seriam ilícitas por não terem sido produzidas com participação da defesa. O magistrado, contudo, entendeu que a sindicância possui caráter preliminar e, nessa fase, não exige contraditório e ampla defesa, tese consolidada na jurisprudência do tribunal. Com essa decisão, manteve o prosseguimento da apuração administrativa.

Defesa nega acusações e critica processo

A defesa do ministro Marco Buzzi emitiu nota repudiando o que chamou de "campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa", marcada por "vazamentos seletivos, distorções e ausência deliberada do direito básico de defesa". Segundo os advogados, as alegações carecem de provas concretas e o ministro não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória profissional. A defesa também apontou que parte das narrativas teria origem em advogada com interesses diretos em processos no STJ, ressaltando a necessidade de cautela na divulgação dessas informações. Os defensores caracterizaram a situação como "linchamento moral" baseado em ilações contra um magistrado com mais de quatro décadas de atuação.

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