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Jairinho: A Trajetória de Médico e Vereador até Acusado pela Morte do Menino Henry

Conheça a história de Jairinho, médico e vereador que enfrentou acusações pela morte de Henry Borel. Trajetória política e legal.
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Amanda Clark

Origem e Formação de Jairo Souza Santos Júnior

Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, nasceu em uma família de destaque político no Rio de Janeiro. Filho de uma dona de casa e de um coronel da Polícia Militar, cresceu nas ruas de Bangu, na Zona Oeste do Rio, onde sua família mantém uma casa de dois andares equipada com piscina e churrasqueira, que se tornou seu reduto político ao longo dos anos.

Seguindo os passos eleitorais de seu pai, um ex-deputado estadual, Jairinho iniciou sua carreira política em 2004, aos 27 anos. No mesmo ano, conquistou a posição de vereador mais votado do Partido Social Cristão (PSC), demonstrando desde o início uma capacidade excepcional de angariar apoio político junto ao eleitorado carioca.

Formação Acadêmica e Carreira Profissional

Além de sua atuação política, Jairinho formou-se médico em 2004 pela Unigranrio, unidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Durante sua graduação, o aluno apresentava um coeficiente de rendimento de 7,4 e era conhecido no campus como um homem inteligente, bem articulado e gentil. Essas características pessoais o acompanharam ao longo de sua vida profissional, contribuindo para seu sucesso em diversas áreas de atuação.

Curiosamente, apesar de possuir o diploma em Medicina, Jairinho nunca exerceu a profissão médica. Esse detalhe se tornaria relevante posteriormente, especialmente em seu depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca) em 17 de março de 2021, quando foi questionado sobre procedimentos de reanimação cardíaca.

Carreira Parlamentar Destacada

Na Câmara de Vereadores, Jairinho conquistou uma posição de grande influência. Foi reeleito por três mandatos consecutivos e alcançou a posição de líder do governo durante a gestão de Marcelo Crivella. Além disso, trabalhou a favor da candidatura vitoriosa de Eduardo Paes em 2020, consolidando sua presença nas esferas de poder municipal.

Durante sua atuação parlamentar, muitos de seus projetos estavam vinculados ao bairro de Bangu, seu local de origem. Entre suas iniciativas legislativas, destacam-se propostas para o tombamento da sede do Céres Futebol Clube e a concessão de benefícios de licença maternidade e paternidade para servidores públicos que adotem crianças. Jairinho também apresentou projetos relacionados à suspensão da aprovação automática na rede municipal de ensino.

O Caso Henry Borel e Queda Política

A carreira política de Jairinho chegou ao fim abrupto em junho de 2021, após acusações de envolvimento na morte do menino Henry Borel Medeiros. O menino de nove anos faleceu em circunstâncias trágicas, enquanto estava sob os cuidados de Jairinho e de sua mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, então namorada do ex-vereador.

Em seu depoimento como testemunha, Jairinho relatou ter encontrado o enteado caído no quarto com mãos e pés gelados e olhos arregalados. Apesar de sua formação médica, negou ter realizado qualquer manobra de reanimação, justificando-se pela falta de experiência prática, uma vez que sua última experiência em massagem cardíaca havia ocorrido em um boneco durante o curso de graduação.

Consequências Legais e Políticas

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro cassou o mandato de Jairinho com uma votação esmagadora: 49 votos contra zero, com apenas uma ausência. A decisão foi baseada em acusação de quebra de decoro parlamentar. Simultaneamente, Jairinho perdeu seus direitos políticos por oito anos, tornando-se o primeiro vereador eleito a ter seus direitos políticos anulados pela Casa.

Tanto Jairinho quanto Monique Medeiros foram presos e acusados do envolvimento na morte do menino Henry. O relatório aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara destacava as robustas evidências de envolvimento de Jairinho no crime, apoiadas em depoimentos de testemunhas, perícia técnica e conclusões do inquérito conduzido pelo delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca).

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