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José Luiz Felício Filho: presidente da Voepass indiciado pela PF no acidente aéreo que matou 62 pessoas

José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass, indiciado pela PF no acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024.
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Amanda Clark

Quem é José Luiz Felício Filho

José Luiz Felício Filho, presidente e acionista majoritário da Voepass, foi indiciado pela Polícia Federal por atentado contra a segurança de transporte aéreo. Ele integra um grupo de 16 pessoas responsabilizadas, por ação ou negligência, pelo acidente do voo 2283 que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024. Este é considerado um dos piores desastres aéreos da aviação civil brasileira recente.

A Carreira de Felício Filho na Aviação

Piloto por formação e ex-comandante de aeronaves ATR, Felício Filho herdou o legado de seu pai, José Luiz Felício, fundador da então Passaredo. Desde jovem acompanhou o progenitor na estruturação da frota original de bimotores Embraer EMB 120 Brasília, quando a companhia foi fundada em 1995, originária de uma transportadora rodoviária baseada em Mococa, São Paulo.

Assumiu a presidência da empresa em 2002, acumulando as funções de gestor e tripulante técnico. Essa dupla responsabilidade lhe proporcionava visão direta e responsabilidade ampliada sobre as condições operacionais das aeronaves da companhia.

Gestão Marcada por Crises Financeiras

Sua administração foi caracterizada por ciclos de expansão intercalados com crises financeiras significativas. Liderou a empresa durante uma recuperação judicial entre 2012 e 2017, período em que a dívida era estimada em R$ 150 milhões. Em 2019, comandou a compra da MAP Linhas Aéreas, movimento que originou a marca Voepass e expandiu as operações da companhia.

Investigações Apontam Responsabilidades Graves

A investigação da Polícia Federal aponta que Felício Filho tinha conhecimento pleno da inoperância crônica dos sistemas da companhia e da cultura organizacional de risco existente na empresa. Os investigadores identificaram que ele era o usuário externo cadastrado responsável por receber e assinar notificações e auditorias da Agência Nacional de Aviação com graves não conformidades técnicas.

Além disso, a PF o identificou como integrante de um grupo de WhatsApp da gerência operacional onde se estimulava a prática de omitir panes de degelo e adiar registros no diário de bordo das aeronaves.

Estrutura de Risco na Segurança Aérea

Os investigadores descrevem Felício Filho como o principal garantidor jurídico da segurança aérea da companhia. Simultaneamente, apontam-no como a figura que estruturou um cenário no qual a segurança foi preterida em nome da continuidade dos lucros empresariais.

Consequências Pós-Acidente

Após o desastre de Vinhedo, Felício Filho centralizou ainda mais a liderança executiva, demitindo diretores de manutenção e segurança operacional. Simultaneamente, ex-funcionários denunciavam publicamente uma cultura interna que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento de alertas técnicos de segurança.

A Voepass, que chegou a ser a quarta maior companhia aérea do país em número de passageiros, teve seu Certificado de Operador Aéreo cassado pela Anac em 2025 após constatação de descumprimentos sistemáticos de protocolos de segurança. A empresa acumula dívidas superiores a R$ 400 milhões.

Vida Pessoal e Contexto Recente

Neto de imigrantes libaneses, Felício Filho é casado e pai de três filhos. Em 2020, passou 21 dias internado em unidade de terapia intensiva, chegando a ser entubado, devido a complicações da Covid-19. Em 2023, vivenciou a morte de seu pai, fundador do grupo, um acontecimento que, segundo pessoas próximas ao empresário, marcou um novo ciclo de decisões dentro da companhia.

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