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Karina Gama: a produtora estreante de filme sobre Bolsonaro alvo de operação da PF por desvio de emendas

Karina Gama, produtora estreante em cinema, é alvo de operação da PF que investiga desvio de emendas no filme sobre Bolsonaro.
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Amanda Clark

Quem é Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse'

Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina Ferreira da Gama, de 47 anos, é uma figura até então desconhecida no cenário cinematográfico brasileiro. Sua estreia no ramo do cinema se deu através do filme "Dark Horse", um documentário sobre Jair Bolsonaro que se tornou centro de investigação da Polícia Federal. A operação deflagrada pela PF nesta quinta-feira busca investigar possíveis irregularidades no financiamento da obra, com suspeitas de desvio de emendas parlamentares.

Trajetória profissional antes do cinema

Antes de se enveredar na produção cinematográfica, a experiência principal de Karina estava concentrada no terceiro setor. Nos últimos anos, porém, sua carreira tomou uma direção significativamente diferente. A produtora começou a firmar contratos de valores expressivos com a prefeitura de São Paulo, diversificou seus negócios e abriu uma holding em Aracaju, Sergipe. Este crescimento acelerado coincide precisamente com sua aproximação ao deputado federal Mário Frias (PL-SP), também alvo da operação da Polícia Federal.

A conexão com Mário Frias e o filme sobre Bolsonaro

A parceria entre Karina e Frias começou em 2020, quando o deputado atuava como secretário de Cultura do governo Bolsonaro. Foi justamente Frias quem viabilizou que a Go Up Entertainment, produtora de Karina, se tornasse responsável pela produção do filme sobre o ex-presidente. Em 2022, a relação profissional se formalizou quando Karina prestou serviços de assessoria de imprensa para a campanha do deputado, recebendo R$ 54 mil pela prestação de serviços.

A proximidade entre os dois se intensificou publicamente durante a diplomação do deputado, ocasião em que Karina esteve ao lado de Frias e sua família, inclusive posando para fotografias juntos. Esta conexão se refletiu também nas emendas parlamentares direcionadas pelo político, que enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil, instituição ligada a Karina.

Emendas parlamentares e projetos sociais

Das emendas enviadas por Frias, uma foi destinada à capacitação de adultos e adolescentes em "letramento digital" para ensino digital a alunos de 4º e 5º anos de escolas públicas municipais. A outra emenda foi direcionada para a implementação do projeto de artes marciais "Lutando pela Vida" em São Paulo. Estas ações levantaram questionamentos sobre a apropriação dos recursos públicos.

Expansão empresarial e contratos milionários

Em fevereiro de 2024, Karina abriu a holding Gama Participações LTDA em Aracaju, com capital social de R$ 100 mil, sendo ela a única sócia. Adicionalmente, tornou-se sócia da Upcon Serviços Especializados LTDA, uma construtora com sede em Salvador, Bahia.

Por meio do Instituto Conhecer Brasil, Karina conseguiu firmar um contrato expressivo de R$ 108 milhões com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) em 2024, destinado à instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da cidade de São Paulo. Além disso, a mesma entidade firmou um convênio de R$ 300 mil com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos para realizar projetos de ensino profissionalizante de maquiagem para mulheres de baixa renda da Zona Leste.

Investigações anteriores e posicionamento de Frias

Em junho deste ano, o endereço residencial de Karina e as sedes de suas organizações foram alvo de buscas e apreensões em operação da Polícia Civil de São Paulo, que investigava irregularidades na contratação da ONG pela gestão Ricardo Nunes (MDB). Frias respondeu publicamente, afirmando que Karina "não ficará sozinha" e a descrevendo como "humilde, honesta e trabalhadora", alegando que ela estava sendo "usada politicamente".

O GLOBO procurou Karina Gama para comentários sobre a operação de junho, porém não recebeu resposta. A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades na contratação da ONG e informou estar colaborando com as investigações em andamento.

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