A experiência de contracenar com a mãe através da inteligência artificial
Maria Rita abriu o coração em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem' para falar sobre o comercial que marcou 2023 e gerou intensa repercussão nas redes sociais. A cantora de 48 anos, filha da lendária Elis Regina, contracena com a mãe em um anúncio de uma empresa de veículos, onde a imagem da mãe foi completamente recriada utilizando tecnologia de inteligência artificial.
O projeto, que a princípio parecia polêmico, foi descrito por Maria Rita como uma decisão consciente e inteligente de usar a imagem de uma artista. Segundo a cantora, nada foi feito sem a aprovação e anuência da família, transformando o que poderia ser uma exploração comercial em um encontro emocional entre mãe e filha proporcionado por uma grande marca com potencial financeiro para executar esse tipo de produção sofisticada.
O impacto emocional durante a gravação
Maria Rita revelou detalhes tocantes sobre o processo de gravação. Durante as filmagens, a imagem de Elis Regina foi inserida posteriormente através de recursos digitais avançados. A cantora enfatizou que chorava constantemente durante a produção, emocionada ao contracenar com uma atriz que se preparou especificamente para o papel, cortando inclusive o cabelo curtinho para se assemelhar à mãe.
A repercussão foi tão intensa que Maria Rita precisou se afastar temporariamente das redes sociais. Embora tenha recebido principalmente mensagens de apoio e emoção de seus seguidores, o volume de comentários e debate público sobre o tema a levou a uma pausa digital necessária para sua saúde mental.
A visão equilibrada sobre inteligência artificial e regulação
Apesar de defender o projeto como genial e respeitoso, Maria Rita não deixa de reconhecer os perigos reais da tecnologia de IA quando usada sem ética. A cantora alertou sobre a necessidade urgente de regulação do uso de inteligência artificial, descrevendo a situação atual como um absurdo que precisa ser controlado.
Em suas palavras, há riscos sérios de substituição e mentira através da IA. Maria Rita expressa preocupação com o consumidor moderno, questionando se as pessoas estão com o ouvido treinado para distinguir o que é real do que é artificial. Ela compara o cenário atual com problemas já existentes na indústria musical, como o uso excessivo de autotune, que alguns artistas inclusive levam para apresentações ao vivo para evitar desafinar.
Um caso de uso consciente em contraste com aplicações prejudiciais
O comercial com Elis Regina representa um caso de uso consciente da inteligência artificial, executado com transparência, consentimento familiar e propósitos legítimos. No entanto, Maria Rita reconhece que a mesma tecnologia está sendo utilizada de formas prejudiciais em outros contextos, criando conteúdo falso e enganoso que prejudica a confiança do público.
A cantora enfatiza que o nivelamento por baixo do uso de IA é uma ameaça real à sociedade. Com a proliferação de deepfakes e conteúdo sintético não identificado, o público corre risco de não conseguir mais distinguir a autenticidade do artificial, comprometendo a relação entre artistas e seu público.
