O Banco Central (BC) informou nesta quinta-feira (30) que a taxa média de inadimplência no crédito concedido pelo sistema financeiro brasileiro permaneceu em 4,7% em junho, repetindo o resultado de maio. O número é o maior da série histórica do indicador, iniciada em 2011, e mostra que a inadimplência segue estável mesmo após meses de renegociações promovidas pelo programa Desenrola Brasil 2.0.
Lançado pelo governo federal em maio deste ano, o Novo Desenrola Brasil tem como objetivo reduzir o endividamento e os atrasos nos pagamentos das famílias brasileiras. Estimativas divulgadas nas últimas semanas sobre o volume já renegociado variam de pouco mais de R$ 22 bilhões a R$ 44,7 bilhões, a depender do critério considerado, somando milhões de contratos formalizados desde o lançamento. Diante da procura, o governo prorrogou o prazo de adesão ao programa até 31 de agosto.
Apesar do volume renegociado, os efeitos ainda não aparecem nos indicadores de inadimplência. Entre pessoas físicas, a taxa chegou a 5,6% — também recorde —, enquanto nas empresas o índice ficou em 3,2%, o maior patamar desde novembro de 2017. Já no crédito livre, modalidade em que taxas e condições são negociadas diretamente entre bancos e clientes, a inadimplência das famílias atingiu 7,6%, novo recorde da série histórica.
Parte do cenário é explicada pelo custo do crédito. Segundo o BC, a taxa média de juros do cartão de crédito rotativo chegou a 442,4% ao ano em junho, alta de 2,6 pontos percentuais no mês, enquanto o parcelado avançou para 191,4% ao ano.
Por outro lado, o levantamento trouxe um dado mais positivo: o percentual de brasileiros com algum tipo de dívida recuou de 49,9% para 49,8% entre maio e junho.
Com informações de Banco Central, CNN Brasil, Exame, InfoMoney e Metrópoles.
